CAMINHO DE ESPERANÇA
Caminho de Esperança
Hoje, ao refletir em oração, percebi que todos os dias
somos chamados a uma busca constante pela transformação e pela maturidade
espiritual. Esta caminhada nos conduz não apenas a superar nossas tendências ao
bem, mas também a enfrentar e purificar as inclinações ao mal (cf. Rm 7,19).
Percebo, a cada dia, que me encontro diante da minha
própria fraqueza: aquilo que parece me tornar fraco, pela graça de Deus, me
fortalece. Como afirma São Paulo: “Quando sou fraco, então é que sou forte”
(2Cor 12,10). É nesse paradoxo que Deus age, revelando a força que vem d’Ele.
A “noite escura”, para poder ser plenamente iluminada e transformada por Deus.
A caminhada espiritual depende essencialmente do
desejo da alma e da abertura interior. Muitas vezes, trata-se de um ato
consciente, permitindo que o Espírito Santo atue, realizando uma verdadeira
purificação — uma “limpeza” espiritual. É como quem remove entulhos acumulados
no coração e, às vezes, até mesmo quebra paredes interiores, que antes impediam
a ação da graça.
Como bem dizia São João da Cruz, a alma precisa passar por um processo de purificação e esvaziamento, a “noite escura”, para poder ser plenamente iluminada e transformada por Deus.
Esse processo é belo, pois é Deus quem restaura as
partes importantes da nossa alma, preparando-a para ser verdadeira morada Sua,
como ensina Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o
amará, e nós viremos a ele, e faremos nele a nossa morada” (Jo 14,23).
Lembrei-me de que Deus, em Sua pedagogia amorosa, não
realiza tudo de uma só vez. Ele respeita o tempo de cada um. Como ensina o
livro do Gênesis, Deus criou o mundo em seis dias (cf. Gn 1), revelando que a
obra divina é processual, respeitando etapas e tempos.
O povo de Israel precisou caminhar 40 anos pelo
deserto até alcançar a Terra Prometida (cf. Nm 14,33-34). Da mesma forma,
Jesus, antes de iniciar sua missão pública, preparou-se durante 40 dias no
deserto (cf. Mt 4,1-2). Até mesmo o Filho de Deus, na Sua humanidade, respeitou
o tempo da preparação.
Assim, cada encontro com Deus neste tempo de caminhada
é uma oportunidade de transformação e mudança. Como recordava Santo Agostinho:
“Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Sermo 169,13). É necessária
nossa disposição e cooperação com a graça divina.
Para que Deus, o Pai, possa verdadeiramente fazer
morada em nós, é preciso este tempo, cada um no seu ritmo. Uns trilham um
caminho mais rápido, preferindo mudanças superficiais, ainda que limitadas;
outros, com passos mais lentos, se aprofundam, permitindo que a graça alcance
as raízes mais escondidas e resistentes do coração.
Não importa se o processo é mais rápido ou mais demorado; todos podem, com o auxílio da graça, alcançar a transformação e renovação interior, tornando-se novas criaturas (cf. 2Cor 5,17).
“O Senhor falava com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo” O essencial é permitir, é escolher a Deus,
encontrando-se com Ele diariamente, face a face, como fez Moisés: “O Senhor
falava com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo” (Ex 33,11). É
nesse encontro cotidiano que o Espírito Santo vai realizando, pouco a pouco, a
obra de santificação, até que o nosso coração se torne morada digna do Pai, do
Filho e do Espírito Santo.
A alma é como um castelo de diamante ou de um cristal muito claro, no qual há muitos aposentos”
Todos os “entulhos” do pecado e das desordens afetivas
são então removidos e colocados de lado, sendo jogados fora, para que aquele
espaço antes ocupado pelo velho homem (cf. Ef 4,22) seja transformado,
tornando-se um novo ambiente, renovado e restaurado para ser, por misericórdia,
templo de Deus (cf. 1Cor 6,19).
Como dizia Santa Teresa de Jesus: “A alma é como
um castelo de diamante ou de um cristal muito claro, no qual há muitos
aposentos”. Cada aposento precisa ser purificado, ordenado e preparado
para que Deus habite plenamente em nós.
Que, com esperança, possamos trilhar este caminho, certos de que Deus age em nós, no seu tempo e segundo a sua vontade, para nossa santificação e salvação (cf. Fl 1,6).